24/04/2015

Sobre O Jardim Secreto, Dickon, e o tipo de pessoa que quero ser.

No mês passado ganhei de presente um dos livros que eu mais gostava de ler na minha infância: O Jardim Secreto. Acho que na época eu ainda não conseguia absorver tudo que esse livro tem, talvez só gostasse das ilustrações e do milagre que tinha acontecido com Colin. Ao reler depois de uns 15 anos, pude refletir em vários pontos e lições que esse livro tão precioso tem. Mas uma em especial me chamou a atenção.


Em resumo, O Jardim Secreto é um livro sobre desilusões e o efeito que elas causam nas pessoas. Se tornam amargas, tomam decisões das quais vão se arrepender depois, não gostam de viver... Mas também é sobre pessoas que acreditam na felicidade, nas coisas simples da vida...e como esses sentimentos podem afetar o primeiro grupo de pessoas.

Se você nunca leu O Jardim Secreto, sugiro que você favorite essa página e vá ler. Depois você volta aqui, e com certeza vai poder entender melhor o que vou falar, pois meu objetivo não é fazer uma resenha, mas refletir sobre um personagem em especial.


Dickon, o garoto amado por todos. De família humilde, vários irmãos e irmãs, um coração maior que o mundo e o dom do carisma. Já são qualidades suficientes pra querermos imitar. Mas tem algo a mais nele, Colin descreve como mágica.

O interessante é que ao longo do livro, em toda conversa que Dickon é citado as pessoas se sentem melhores. Depositam confiança nele, gostam de estar ao lado dele...

"O doutor Craven ficou muito alarmado. Se esse cansativo menino histérico tivesse a oportunidade de ficar bom, o médico perderia a chance de herdar Misselthwaite; mas não era um homem inescrupuloso, embora fosse fraco, e não pretendia correr nenhum risco real.
  - Ele precisa de um menino forte e firme - ele disse. - E eu preciso saber algumas coisas sobre ele. Quem é? Qual o nome dele?
  - É o Dickon - Mary falou de repente. Ela achou que de um jeito ou de outro todo mundo na charneca conhecia o Dickon. E tinha razão, claro. Ela viu que num instante o rosto sério do doutor Craven relaxou com um sorriso aliviado.
  -Ah, o Dickon - ele disse. - Se for o Dickon, ele realmente estará seguro."

"Havia realmente uma espécie de Mágica quanto ao Dickon, como Mary secretamente acreditava. Quando o senhor Roach ouviu o nome dele, sorriu com bastante brandura."


Logicamente Dickon não é uma pessoa mágica. Ele é uma pessoa que se interessa e tem amor pelo próximo. Uma pessoa de coração sincero, que deseja o bem, isso é o que faz dele alguém tão especial.

Cá entre nós, eu sempre fui uma pessoa de poucos amigos. Não sei lidar direito com as pessoas, as vezes não sei o que dizer e sempre acabo uma conversa com a impressão que disse um monte de bobagens. Eu fui criada com poucas pessoas, e em maioria adultos, acho que isso influencia um pouco.

Ao terminar de ler esse livro fiquei pensando no efeito que causo nas pessoas, como será que elas me enxergam? Quando alguém fala de mim numa conversa, que rumo essa conversa toma?

Percebi que tenho muito a aprender com Dickon. Ser uma pessoa mais otimista, alegre, de riso fácil...qualidades que gosto tanto nos outros, porque não tentar ter? Quero ser lembrada como uma pessoa boa, quero causar o efeito que Dickon causava.♥


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